Pesquisa personalizada

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Indefinitions

Clock says it's time;
Momma laughs in desperation.
Tequilla wide open on the table;
Addiction wide open on the table.
I laugh in desperation.

Clock urges us to go;
Momma's whining to the bottle.
Mouth wide open on her face;
Drunkness wide open on her face.
I'm whining to the bottle.

Where did she go without me?
Clock is calling her back.
Bring her voice back to the house;
Bring her heart back to the house.
I'm calling you back!

Clock can't wait any longer;
Momma can't let go.
Tequilla wide open to death;
Addiction wide open to death.
I can't let her go.

But I'm not strong enough.
And then her heart beats... and stops.


Death is an unfinished drink.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sem Pé

Voo por ti.
As minhas asas nos teus olhos;
O teu nome gravado no solo que possuí.

Bebo-te em mim.
As minhas palavras mudas no beijo;
As tuas cores no reflexo dos silêncios.

Voa por mim.
De uma borboleta se pode sonhar;
Do teu amar se podem formular compêndios.

Bebe-me de ti.
Entre páginas do livro, da tua essência;
No vazio da mata onde nos unimos assim...

Tão sós.
Tão nós.
Juntos voaremos, pois.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Dores de Outono

Está frio demais para as cores,
Frio demais para os beijos de Sol,
Demasiado gélido para a neve,
Entristecedor como um vento sem norte,
Um sussurro à sorte entre dois olhos que se desviam.

Está a noite e o frio, frio como nós.
Está a colheita de silêncios, a cultura do nada,
O curvar da estrada quando o perto está para longe.
Demasiado só, entre a terra e a mó,
Demasiado frio para ser digno de nós.

Está frio demais para a dormência,
Frio demais para largar os pedaços de ti!
Demasiado gélido para não te aquecer,
Entristecedor por não morrer a sede de teus lábios,
E por em vários momentos... nunca ter dito "perdão".

domingo, 20 de setembro de 2009

NA CASA... Na cozinha.

Réstias de um aroma que resume os perfumes do mar,
Histórias de um nómada perdido no seu próprio lugar,
E a continuação da vida a cada inalar da fumaça
Que o olfacto traduz em sentimentos, doces momentos.

Calosidades nas plantas dos pés que beijaram o Mundo,
Rugas na expressão que disfarça o cansaço profundo,
E o calor da fervura sobre a chama que transforma
O alimento para a alma, a água em nuvens de calma.

Foi a fome de viver que energizou o espírito na sua quimera;
A doce espera pelo calar da consciência que ensina a ser,
Concomitante apetite que acompanha a busca pelo saber.

Nas ternas curvas da garrafa de vinho reflectiu-se o sonho;
Risonho foi o desejo de o engrandecer, louvá-lo a fundo,
Pois provou-se uma colher do futuro... E um pouco do nada é tudo.

sábado, 5 de setembro de 2009

NA CASA... No Quarto.

Levanta-te e luta!
Ergue a tua espada!
Tu és quem não irei ver morrer!

Rasga os lençóis!
Desvela as tuas marcas!
Jorra o sangue que deixaste arder!

Varre as cinzas!
Esconde as tripas!
Cairás no negro que te fará perecer!

Afasta a seringa!
Injecta a saída!
Inala a alma de quem não pode perder!

Abre os teus sonhos!
Arranca do solo as tuas promessas!
Apaga a ânsia de voar sem asas ter!

Rebenta a almofada!
Vaza o segredo que cala!
Enxuga a fome de sentir-te viver!

Ignora o apelo!
Resiste ao consolo!
Fecha-te em ti e amanhece outro ser!

Adormece o vício!
Degola a dependência!
Fecha-te em ti e amanhece outro ser!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

NA CASA... Na sala.

O afaguinho enxuto do tiquetaque,
O suave embalo da espera,
O abraço terno do divã,
A melancolia etérea.

O cobertor sobre as pernas,
A luz na janela recostada,
O passarinhar na ramagem,
O silêncio na escada.

E as cãs, banhadas a cal,
Ditando a velocidade a que o tempo urge,
O ritmo amargo a que a nostalgia regressa.

Ou as lágrimas, plenas de sal,
Fermento da consciência súbita que surge
De que o tempo também um dia cessa.

domingo, 30 de agosto de 2009

NA CASA... No lavabo.

O espelho acusa a embriaguez em duplicado, tal como a culpa, somado à fúria de viver o transtorno da bebida. O corpo geme ao abrir da torneira, a dormência é arrastada pela água, a decadência é filtrada pelo ralo. Os pés ressentem o toque da porcelana, as mãos transpiram o poder do álcool, os olhos reviram e desdenham a sobriedade. A consciência volta a oprimir o ser, a raiva mói, a sede cresce, o espelho perde o brilho alcoolizado, o seu múltiplo desvanece... Somente uma imagem solitária de uma vida acabada é reflectida; renasce o desejo de a esquecer.

Pela água se espanta o álcool,
Mas a dor o traz de volta.