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Livro "Detrás da Sombra" Em Ebook

sábado, 30 de janeiro de 2010

Livro "Detrás da Sombra" - Ebook já disponível

Para os interessados, já é possível adquirir o livro "Detrás da Sombra" na sua versão Ebook, para leitura directa no monitor do computador. O preço é de 2,99€ por cada Ebook.

Para realizar a encomenda, basta visitar a livraria online da editora aqui:
http://www.worldartfriends.com/store/411-detras-da-sombra.html

quinta-feira, 4 de junho de 2009

.Click

Click. E tudo se foi.
Os barulhos da noite,
As sombras do monte,
Os sussurros embriagados
Dos idiotas que me assolam a janela,
Das amantes que sopram cada vela
De cada ano meu de malfazer.

Click. E tudo realmente se foi.
Os reflexos em vidros ocultos,
A berraria dos putos,
Os linguarejares mudos
Dos que partilham cusquice alheia,
Dos que se encostam à beira
Da estupidez do maldizer.

Click. E tudo acabou.
Os banhos tépidos de Sol,
A cacofonia da urbe
Em Si bemol,
Os desvarios do costume,
Os incómodos do costume.

Click. E todo o meu ser se apagou.

(Poema contido na obra Detrás da Sombra)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

.Preto no Branco

De que cor são as palavras que nos meus lábios se ressecam,
Que nem a água de nascente que se perdeu entre rochedos?
De que cor são as ânsias que no meu íntimo se atropelam,
Como os grãos de areia com que a brisa cobriu penedos?

De que cor são as raízes quadradas, as vidas quebradas,
as cartas rasgadas, e as noites passadas ao relento,
Imaginando que um dia virias para me buscar?
Da mesma cor que ficou a outra face da Lua quando me confessou
que partiste, e nunca mais irias voltar.

De que cor são as verdades que no teu coração calas,
Ou as mentiras infrutíferas em que te consomes?
De que cor são as mágoas que bem no fundo guardas?

De que cor é a terra para onde foste,
Em que o dia é mais longo do que triste,
E a noite não é escura o suficiente
Para esconder as sombras da tua humanidade,
Se é que para as sombras já não é muito tarde!?

De que cor é o furor que em mim resiste,
Por não poder dizer que desististe,
E que por entre laivos de amor,
Percebeste que não há cor que o defina,
Se é que ainda ele te invade!?

Negra. Negra é a minha dor!
Negra como a pele que me veste de pudor.
Não negra o suficiente para esconder a tua culpa pálida,
a tua justiça inválida, ou o sentimento que me negaste
a cada declaração, a cada rejeição.

Porque eu estou certo e tu não.
Porque tu és miserável e eu não.
Diz-me agora qual é a cor da razão.

(Poema contido na obra Detrás da Sombra)

terça-feira, 26 de maio de 2009

.A Rampa

Muitas pessoas param a meio. Outras sobem, outras descem, todas elas alegres por ouvirem o som dos seus pés a pisar o chão ritmicamente; muitas delas alheias, mesmo que temporariamente, ao que tal implica. Algumas tropeçam, firmando com sangue, lágrimas ou esgares de vergonha a prova da sua passagem. Há quem desdenhe as pedras mal colocadas, demasiado em baixo ou em cima, ou tão afastadas que os espaços entre si são para os saltos altos aquilo que um abismo é para um suicida (no entanto, continuariam a desdenhar se as pedras simplesmente não existissem). Muitos passam chorando pela morte de alguém amado... ou pela morte da sua dignidade. Outros sorriem, felizes, ignorantes, juvenis. Poucos a entendem verdadeiramente, poucos reconhecem a magnitude da sua simplicidade. Apesar disso, todos sabem o que ela é e por isso a percorrem. Na maior parte das vezes, fazem-no inconscientes de que quanto maior a subida, mais terão que descer. Quanto maior o salto, mais feroz a queda. Porque ela deve ser percorrida pedra por pedra, pé ante pé, entre os ruídos da cidade e os da mente. Enfim, a rampa está destinada a toda a gente.

(Poema contido na obra Detrás da Sombra)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

.O preço da mentira

Vejo os sorrisos vagos,
O gesto próprio dos fracos,
Enquanto murmuram que a guerra acabou.

Ouço a tremura na voz,
Enquanto conversam a sós,
E desfrutam do pão que o Diabo amassou.

Enumero mentira por mentira,
Nas falas mansas do dia a dia
E nos olhares vestidos de cobardia
Daqueles que pensam tudo menos o que dizem.

Conto pecado a pecado,
Enquanto se esvaziam os pratos
E se quebram os votos de honestidade
Como sendo a verdade heresia.

A guerra não acabou!
Não é finita, como se anuncia!
Grassa nas mentalidades,
Alimenta-se das falsidades
Que desde o almoço à liturgia,
Celebram a pequenez da humanidade!

A verdade, a verdade!
Coisa maldita que tantos invocam!
Poucos saberão o que ela implica,
Na sua rotineira insabedoria
E na ignorância que os abençoa
A cada gargalhada estridente!

"Ha! Ha! Ha!" - Detritos de gente!
Que se reclude em casas sem tecto,
Pensamentos sem nexo,
E escondem a carapaça
Com a cabeça a descoberto!

Mas quem está certo?
Quem é juiz?
Os honestos trabalhadores,
A vizinha Maria das dores,
Ou a mera meretriz?
Quem protege a veracidade
De cada palavra que diz?

Num mundo em que as sombras são a luz,
A noite é maior que o dia,
E a existência é uma freguesia
Sem moradores de permanente estadia,
Qual a ponte entre o real e a utopia?
Qual o elo entre a verdade e a vida?

Oh, que me tirem daqui!
Protejam-me de mim!
Pois tudo isto digo em vão,
Num esforço para alcançar o vento
E calar esta inquietação.

(Poema contido na obra Detrás da Sombra)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

.Súplica Tardia

É como se não mais estivesse aqui
Sim, na neblina eu desapareci
Perdido na incerteza de palavras não ditas,
De verdades malditas, e de olhares piedosos
Que atestam a secura dos meus lábios,
Oh, tristes lábios.

É como se já não fosse completo;
A minha alma é um deserto.
Esquecida entre promessas de mudança,
Suspiros sem esperança, e lágrimas
Que cobram o meu sangue,
Oh, doce sangue.

Mas eu estou aqui
Ninguém me vê, mas nunca parti
Que o solo comprove a minha fúria,
Os céus, os meus clamores,
E o mar, as dores que tentei afogar
Aos meus pés.

Eu estou aqui, eu estou aqui
Entre escombros daquilo que vivi
Por entre sussurros de escarnecer,
Ódio e desconfiança;
Lá se foi a bonança, junto com
A vontade de viver.

No fio da navalha,
No gume da espada,
À beira do abismo;
Apenas o vejo porque o sinto!

Consumido pelo fogo,
Gelado pela frieza,
Cegado pela clareza
Da realidade... ou do absinto.

Eu estou aqui, eu estou aqui
Mas a mim mesmo perdi
Quando fiz com que me perdessem a mim.

(Poema contido na obra Detrás da Sombra)

domingo, 10 de maio de 2009

.Dúvidas do ser

Diria que é por instinto,
Ou acusaria a vontade.
Qual deles a verdade?
Qual deles é o que sinto?

No berçário das ideias,
Na nebulosa do pensar,
É o vento que, ao soprar,
Me diz o que a alma anseia.

E a verdade é uma só,
Infinitamente singular:
A vontade surge por instinto.

E as duas dão o nó,
E me enlaçam em pesar
Por assim se esvaziar a lua cheia.

(Poema contido na obra Detrás da Sombra e musicado por Joel Costa, Carolina Segundo e Diogo Pinto)